Reporter Catolico/

Mas a final. Por que mataram Jesus?

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Jesus e o Peso da cruz.

 

Esta é uma pergunta que paira o tempo todo na mente daqueles que participam ou assistem a Paixão de Cristo.  Acontece que naqueles tempos, na  Galileia, lugar de gente explorada e marginalizada, para a qual a missão  de Jesus se tornou, de fato, uma boa nova, a qual trazia, junto com suas ações as palavras, a libertação dos oprimidos, dos humilhados, dos deixados de lado. E esse trabalho de conscientização, atraiu sobre a pessoa de Jesus, a ira dos poderosos injustos. Jesus estava atrapalhando os seus negócios tão lucrativos.

 

Para entender melhor isso, é importante aqui nos reportar  a realidade político-econômica e  social porque passava a sociedade do tempo de Jesus:

 

Além da invasão romana, aquela sociedade,  os cristãos da Galiléia,  estava sofrendo o ataque ou a invasão dos “bandidos”  que fizeram uma verdadeira tomada de Jerusalém. Aconteceu que pequenos proprietários rurais que perderam suas terras pelos altos impostos, e pela improdutividade gerada  pela infertilidade do  ano sabático, que segundo o judaísmo, era um ano sem plantar, e a isso convém acrescentar os altos juros cobrados pelos saduceus os quais lhes emprestavam dinheiro,  esses pequenos proprietários rurais revoltados passaram a assaltar em grupos. Eles se escondiam nas cavernas, e assaltavam principalmente as caravanas romanas, e num trabalho semelhante ao de Robin hood, eles repartiam o produto do roubo com os excluídos. Por isso, os chamados “bandidos”, contavam com  o apoio e a simpatia do povo faminto e explorado pelos ricos proprietários de terras, entre eles, os sumos sacerdotes e doutores da Lei.

 

A fúria  e a revolta desses pequenos proprietários de terra chegou ao ponto deles invadirem Jerusalém onde se achavam os arquivos e os documentos de suas dívidas injustas dos seus credores exploradores, entre eles, os anciãos, membros do Sinédrio, sumos sacerdotes. Naquela ocasião, que foi no ano de 66, os “bandidos”  queimaram os referidos documentos e mataram os seus respectivos credores.

 

Foi por isso que Jesus foi escolhido no lugar de Barrabás,  condenado e morto como se fosse um bandido, e até sendo crucificado entre dois deles, numa manifestação da prepotência da elite judaica que arrolou o poder romano para concretizar  aquela chacina, ou a morte de um inocente, o qual foi condenado exatamente por ser justo. Por defender os pobres da exploração dos ricos.

 

O ladrão Dimas que Jesus perdoou no seu momento final na cruz, na realidade, não era um assassino cruel, mas sim um daqueles chamados “bandidos” que na companhia de outros agricultores revoltados, reclamava,  apesar de forma violenta, os seus direitos de ter um a vida com abundância.

 

Jesus foi preso à noite. Por isso, era necessário alguém, que no caso foi Judas, para indicá-lo aos soldados romanos que vieram prendê-lo.

 

A morte de Jesus já estava decretada pelas autoridades religiosas. Só restava apenas pegá-lo quando menos se esperasse. Por isso mesmo, Jesus só ficava em Jerusalém durante o dia, à noite dormia fora da cidade. Ele bem sabia que entre os discípulos havia um traidor.  Assim se explica o aspecto clandestino da ida de Jesus à noite a uma casa da cidade para celebrar a Páscoa.

 

Jesus é a vida que nasce da morte. No mundo inteiro, a repetição diária da celebração da Paixão do Senhor na Santa Missa, é necessária e indispensável para nos fazer entender o que significa a vitória do derrotado, o sucesso do fracassado, a glória da humilhação, a vida que nasce da morte.

 

A morte de Jesus, portanto, não ocorreu por acaso, mas é resultado de um plano diabólico de morte arquitetado pelos líderes religiosos e políticos, para anular a sua ação libertadora.

 

 

Porém, nada disso adiantou. Jesus ressuscitou e está vivo no meio de nós, assim como suas idéias, a sua Boa Nova, o Evangelho, que continua vivo até hoje no nosso meio, fertilizando as nossas mentes para semearmos o amor de Deus e a conscientização entre os oprimidos e os explorados.

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