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Pe. Juvan Celestino: O problema com o Todo Poderoso

Noticia 6

O problema com o Todo Poderoso: Deus e o poder, O Deus Todo Poderoso.


 


Existe um mau entendido com a  justa expressão: “Deus Todo Poderoso”.


 


Comecemos este artigo colocando algumas perguntas: Por que querem negar este atributo de Deus?


 


Por que, algumas pessoas na Igreja, seguindo a moda da ideologia querem negar a qualidade do Poder atribuído a Deus?


 


Por que inúmeros padres tem evitado dizer na liturgia da Igreja, “Ó Deus Todo Poderoso”?


 


Por que, soa-lhes ofensivo o fato de chamar a Deus de Todo Poderoso?


 


Por que alguns padres e até bispos, durante as orações nas Santas missas não querem dizer: “Deus todo Poderoso” e substituem esta expressão por “Deus todo misericordioso”, ou “Deus de Bondade”... de ternura... ou Deus de qualquer coisa?


 


Eles substituem “a expressão “Todo Poderoso”, por “Todo Misericordioso”, como se fosse necessário diminuir o poder de Deus para torná-lo aceitável aos fiéis. “Mas, o Poder e a Misericórdia não são incompatíveis, e ninguém se deverá sentir oprimido por Deus “Todo Poderoso” achando que Ele não tem misericórdia”;


 


E alguns a justificam afirmando que tal expressão é opressora e ofende os oprimidos. Ora, vos perguntamos, por acaso o poder de Deus é opressor? Muito pelo contrário, sabemos por revelação, que Seu Poder, é um Poder que se opõe aos poderosos deste mundo injusto, pois diz a profecia:


 


 “Demonstrou o poder de seu braço dispersou os orgulhosos. Derrubou os poderosos de seus tronos e os humildes exaltou” (Lc 151-52)


 


Há quem diga que “Deus despreza o poder”, mas o poder não é mal em si mesmo, tanto se poderá fazer o mal quanto fazer o bem com seu uso.


 


Estão confundindo o poder de Deus com o poder do mundo, o poder do mundo é realmente opressor, mas o Poder de Deus nunca é despótico nem autoritário, ele é amoroso e harmonioso. Essa negação do poder de Deus nem é teológica nem sensata, mas insana e pagã, são os deuses pagãos que não possuem poder algum, pois sequer existem.


 


Negam o Poder de Deus comparando-o aos poderes dos ditadores e dos governantes deste mundo, esta associação é falsa e anti-litúrgica, não se deve nem comparar o Poder de Deus aos poderes humanos dos poderosos deste mundo nem negar o Poder de Deus ao compará-lo aos poderosos deste mundo.


 


Façamos aqui uma observação, pois, esta mudança acontece nas Missas, entretanto, tomem nota de que toda adulteração do texto litúrgico é grave.


 


Não entendemos a razão exata, pela qual, alguns sacerdotes têm, ultimamente, medo de proclamar uma Verdade tão bela e justa da fé cristã que é o reconhecimento do Poder de Deus que foi definido nos Concílios e que professamos nas Santas Missas dominicais rezando o credo (Símbolo Apostólico): “Creio em Deus Pai Todo Poderoso...”;


 


Negar o Poder de Deus na liturgia é negar disfarçadamente o poder Criador, pois é necessária uma força equivalente ou mais forte do que tudo aquilo que foi criado para se criar algo. Sem o poder nada se cria, sem o poder não se possui a força criadora.


 


Acreditar em Deus Criador é acreditar em um Deus Todo Poderoso. Negar o Poder de Deus é vê-lo como um mal em si mesmo. Geralmente quase nada é mal em si mesmo, será o uso que torna má as coisas.


 


O poder não é um mal em si mesmo, é o mau uso do poder que poderá torná-lo mal. Nenhum poder é corrupto por si mesmo, ele poderá ser corrompido, todavia, não o é corrupto por natureza.


 


É como a riqueza, Deus não é contra a riqueza nem contra o rico, Deus se opõe ao mau uso da riqueza e ao rico avarento que se enriquece a custa do sangue do seu irmão; o mal não está no poder, mas no mau uso dele, quem nega o Poder de Deus e quem nega o poder a Deus, está vendo neste poder o mal.


 


 


Deus é Amor


 


Deus é Amor, dizem, contrapondo ao poder. Sim, concordamos que Deus é Amor, mas, um Amor Poderoso capaz de criar. Um amor que não tem poder é um amor mole e ineficaz. Quem pretende amar sem o poder do amor será incapaz de amar de verdade.


 


Cremos no Poder do Amor criador de Deus. Um Deus sem Poder será um “deus que não cria”. Cremos no poder do amor e cremos no amor poderoso capaz de criar. O amor é criativo e a força desse amor criativo vem do seu poder de criar.


 


Afirmar o Poder de Deus, não contradiz em nada com a sua natureza divina, muito pelo contrário a reafirma. O Poder de Deus não ofende os oprimidos, o poder de Deus é que liberta os oprimidos.


 


 


Jesus diz ser o mais forte que vence o forte


 


Quando Jesus foi acusado de expulsar os demônios se servindo do poder do “príncipe dos demônios, chamado de Beelzebu” (Mt 12,24), Ele se defende dizendo que é “pelo Espírito(dedo) de Deus”, que o faz (Mt 12,28) e em Marcos Jesus acrescenta: “Ninguém poderá entrar  na casa de um homem forte e roubar os seus pertences, se primeiro não amarrar o homem forte; só então poderá roubar sua casa” (Mc 3,27);


 


 


“A presença do Reino de Deus na história da humanidade revela-se no Poder de Jesus de expulsar os demônios, libertando todo ser humano desse poder opressor. Essa libertação significa a retomada do senhorio de Deus na vida de quem era dominado pelo maligno...”


 


 


E ainda “Jesus compara o demônio com um homem forte. Ninguém, a não ser uma pessoa mais forte, poderá roubar a casa de um homem forte. O Senhor é este mais forte que chegou. Por isso, Ele consegue entrar na casa e amarrar o homem forte. Consegue expulsar os demônios. Jesus amarrou o homem forte e agora rouba a casa dele, isto é, liberta as pessoas que estavam no poder do mal”;


 


 


Isto fica claro que a expulsão do mal e de todos os demônios só se realiza pelo poder. Não é à toa que os exorcismos da Igreja se fazem pelo poder concedido pelo Senhor e atribuído ao seu nome: “Chamou os doze e deu-lhes autoridade de expulsar os espíritos impuros e de curar toda sorte de males e enfermidades” (Mt 10,14)


 


 


E em ocasião da sua Ascenção disse: “Todo poder me foi dado no céu  e sobre a terra. Ide, portanto e fazei discípulos...” (Mt 28,18)


 


 


E São Paulo nos faz lembrar: “Deus o elevou e lhe conferiu um nome que está acima de todo nome, a fim de que ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, sobre a terra e nos infernos, e toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fl 2,9—11)


 


 


A Igreja sem-poder


 


Seguindo a essa ideologia, há uma rejeição do poder de Deus dentro da Igreja. “Temos dificuldades em admitir o poder de Deus”, por isso, estão rejeitando o poder de Deus. Se Deus não tem poder a Igreja, também, não terá. E sendo assim, os seus sacramentos serão ineficazes. E consequentemente, esta falsa ideologia da diminuição do poder de Deus e da Igreja, recairá sobre a autoridade do papa, bispos e sacerdotes. E a rebelião por uma Igreja democrática será sem precedente e ninguém a deterá.


 


O poder da Igreja não é terreno, e sim, espiritual: o meu Reino não é deste mundo. Mas Jesus não deixou a Igreja, sua “esposa” desprovida de poder, ele a ornou com o seu poder sobre os espíritos impuros e sobre as forças infernais.


 


Pe. Juvan Celestino da Silva


 

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