“A esperança dos pobres jamais se frustrará”.

“A esperança dos pobres jamais se frustrará”.

A primeira Jornada Mundial dos Pobres (ou Dia Mundial dos Pobres) foi realizada no ano de 2017, a pedido do Papa Francisco. Desde 2017, o Santo Padre lança uma mensagem para animar a todos os fiéis católicos a pôr em prática uma palavra tirada das Sagradas Escrituras e que esteja voltada, especialmente, em formas concretas de se concretizar as práticas de misericórdia em favor de nossos irmãos mais necessitados e marginalizados.

Em 2017, a palavra de ordem foi tirada da primeira Carta de São João: “Não amemos com palavras, mas com obras” (cf I Jo 3,18). Já a palavra de 2018 foi tirada do salmo 34: “Este pobre clama e o Senhor o escuta”. Por fim, para este ano de 2019, a palavra é tirada do Salmo 9,19: “A esperança dos pobres jamais se frustrará”.

Com sua mensagem para o III Dia Mundial dos Pobres, o Papa Francisco nos recorda a incrível atualidade dessa palavra de ordem, tirada do Salmo 9. Palavras essas que exprimem uma verdade profunda da qual a fé consegue gravar, sobretudo no coração dos mais pobres, a esperança que foi perdida por causa das injustiças, dos sofrimentos e da precariedade da vida.

O Papa Francisco faz uma análise exegética sobre o texto do salmo 9 e constata que, na época em que foi escrito o salmo, existiam pessoas arrogantes e sem caridade alguma olhavam para os pobres com o intuito de retirar deles até mesmo o que já tinham, procurando reduzí-los a escravos. Segundo o Santo Padre, “(…) a realidade, hoje, não é muito diferente! A numerosos grupos de pessoas, a crise econômica não lhe impediu um enriquecimento tano mais anômalo quanto confrontado com o número imenso de pobres que vemos pelas nossas estradas e a quem falta o necessário, acabando por vezes humilhados e explorados”.

Seja no tempo do Antigo Testamento, seja na época da Igreja Primitiva, a todo o percurso da História da Igreja, a preocupação sempre se acercou não só dos pobres, mas também dos demais marginalizados e daqueles homens e mulheres que vivem na precariedade das coisas. Não é o caso de condenar os mais ricos e exaltar os mais pobres. 

A questão está na justiça: naquilo que é o equilíbrio. Tanto ricos quanto pobres são chamados a colocar seus dons a serviço dos mais necessitados. Mesmo que acreditemos ser bem pobres, sempre existirão outros em situação muito pior do que a nossa. 

O mandamento supremo de Jesus, o de amarmo-nos uns aos outros da maneira como Ele nos amou e ainda nos ama, é pôr-se no serviço aos que mais precisam. Irmãos que não têm somente a necessidade material, mas que, em tantas outras circunstâncias, têm necessidade de um abraço amigo, de um ouvido que os ouça, enfim.

Para realizar esse serviço uns aos outros é que existem as obras de misericórdia, instituídas pela Igreja, com base no que está nos Evangelhos. 

Por isso que essas obras dividem-se em dois grandes grupos: as obras de misericórdia corporais (alimentar os famintos; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; abrigar quem está sem abrigo; visitar os doentes; visitar os encarcerados; sepultar os mortos) e as obras de misericórdia espirituais (instruir os ignorantes; aconselhar os duvidosos; advertir os pecadores; suportar os erros com paciência; perdoar as ofensas de bom grado; confortar os aflitos; rezar pelos vivos e pelos mortos). 

Portanto, todos nós somos chamados a dispor do que somos e do que temos em favor da construção das realidades do Reino de Deus: pautado na justiça, ou seja no equilíbrio entre todos, como equilibrado é o amor de Deus para com todos os seus filhos e filhas.

Por fim, nas palavras do próprio Papa Francisco:

“O Senhor não abandona a quem O procura e a quantos O invocam; «não esquece o clamor dos pobres» (Sal 9, 13), porque os seus ouvidos estão atentos à sua voz. A esperança do pobre desafia as várias condições de morte, porque sabe que é particularmente amado por Deus e, assim, triunfa sobre o sofrimento e a exclusão. A sua condição de pobreza não lhe tira a dignidade que recebeu do Criador; vive na certeza de que a mesma ser-lhe-á restabelecida plenamente pelo próprio Deus. Ele não fica indiferente à sorte dos seus filhos mais frágeis; pelo contrário, observa as suas fadigas e sofrimentos, para os tomar na sua mão, e dá-lhes força e coragem (cf. Sal 10, 14). A esperança do pobre torna-se forte com a certeza de que é acolhido pelo Senhor, n’Ele encontra verdadeira justiça, fica revigorado no coração para continuar a amar (cf. Sal 10, 17).

Aos discípulos do Senhor Jesus, a condição que se lhes impõe para serem evangelizadores coerentes é semear sinais palpáveis de esperança. A todas as comunidades cristãs e a quantos sentem a exigência de levar esperança e conforto aos pobres, peço que se empenhem para que este Dia Mundial possa reforçar em muitos a vontade de colaborar concretamente para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade. Acompanhem-nos as palavras do profeta que anuncia um futuro diferente: «Para vós, que respeitais o meu nome, brilhará o sol de justiça, trazendo a cura nos seus raios» (Ml 3, 20).” 

O III Dia Mundial dos Pobres, neste ano de 2019, será celebrado no dia 17 de novembro, liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum (um domingo antes do Domingo de Cristo Rei). Tenhamos a coragem de perceber e ouvir o clamor dos nossos irmãos e irmãs mais necessitados. Através da esperança deles, que jamais se frustrará, alimentemos também as nossas esperanças.

 

RC / matrizsaobento.com.br

 

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