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Baixa dos Sapateiros preserva história e tradição do Centro Antigo de Salvador.

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Conhecida como Baixa dos Sapateiros, a região compreendida entre os terminais do Aquidabã e da Barroquinha, na Avenida J.J. Seabra, no Centro Antigo de Salvador, resiste ao tempo como uma da principais regiões de comércio popular da cidade. A grande concentração de negócios dos mais diversos tipos ajuda a explicar a existência de importantes prédios, monumentos e mercados. Após um longo período de decadência, a zona comercial passa por requalificação e melhorias urbanas fundamentais para o resgate da memória desta parte importante do patrimônio cultural da capital baiana.

 

A Baixa dos Sapateiros é o local preferido para as compras da empregada doméstica Edna de Jesus. "É o lugar onde a gente encontra o que quer, anda e acha várias opções. É melhor do que o shopping, onde é tudo caro".

 

Um verdadeiro shopping a céu aberto, não é coincidência que um dos primeiros centros comerciais do gênero na Bahia tenha sido inaugurado justamente na Baixa dos Sapateiros. A antiga Rua da Vala ganhou este nome em alusão ao grande número de trabalhadores que instalaram tendas e pontos de conserto de calçados atraídos pelas lojas de artigos de couro existentes na região estrategicamente localizada como parte dos principais acessos ao Pelourinho e o Centro Histórico.

 

Pioneiro na região, o Cine-Teatro Jandaia foi o primeiro cinema aberto em Salvador, em 1910. A avenida também abrigou outros dois cinemas tradicionais, o Cine Pax e o Tupy, ainda em funcionamento. Outros pontos de destaque na Baixa dos Sapateiros são os tradicionais mercados de Santa Bárbara e São Miguel, além do recém recuperado prédio do Quartel do Corpo de Bombeiros.

 

Comércio popular

 

Se há 50 anos o comércio local atendia as classes populares enquanto os mais ricos frequentavam estabelecimentos situados nas avenidas 7 de Setembro e Joana Angélica, esta vocação se mantém até hoje. Segundo a Associação dos Lojistas da Baixa dos Sapateiros e Barroquinha (Albasa), 74% dos clientes ganham até dois salários mínimos e 72% utilizam o ônibus como meio de transporte para chegar ao local das compras.

 

Nascido nas proximidades da Baixa dos Sapateiros, o comerciante Elson Pastori recorda que o fluxo de pessoas começou a diminuir com a redução de linhas de transporte público e circulação de carros com a construção da Estação da Lapa e a mudança de mão-dupla para mão-única. A transferência do terminal rodoviário das Sete Portas para o Iguatemi e o surgimento de novas áreas de comércio popular em bairros foram também contribuíram para o menor número de consumidores.

 

A requalificação executada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), por meio da Diretoria do Centro Antigo de Salvador (Dircas), traz de volta o otimismo. A expectativa dos mais de 300 comerciantes é reviver os melhores anos preservando a tradição de preço baixo. "Os nossos clientes são fiéis. 62% de quem vem à Baixa dos Sapateiros vem por causa do preço", afirma Pastori.

 

 

por Camila Nepomuceno

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