MPF e PF apuram morte de cacique e invasão de aldeia, no Amapá

MPF e PF apuram morte de cacique e invasão de aldeia, no Amapá

Segundo denúncias de moradores e autoridades, garimpeiros teriam entrado em terras indígenas e expulsado moradores

O Ministério Público e a Polícia Federal iniciaram neste final de semana uma investigação para apurar as causas da invasão de uma aldeia e o assassinato do cacique Emyra Wajãpi, ocorrido há uma semana, em terra indígena, no Amapá.

Em nota, divulgada na manhã de domingo (28), o MPF afirmou estar acompanhando o caso e ter instaurado procedimentos para investigar a ação, realizada por um grupo de 10 a 15 garimpeiros armados, conforme informações dos próprios moradores e vídeos repercutidos nas redes sociais como o do Senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) e da prefeita de Pedra Branca do Amapari, Beth Palaes (MDB).

Apina

O Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina) emitiu um comunicado relatando as agressões sofridas pelos indígenas e a morte do chefe Wajãpi.

Confira a íntegra:

NOTA DO APINA SOBRE A INVASÃO DA TERRA INDÍGENA WAJÃPI

Nós do Conselho das Aldeias Wajãpi – Apina queremos divulgar as informações que temos até agora sobre a invasão da Terra Indígena Wajãpi.

2ª feira, dia 22/07, no final da tarde, o chefe Emyra Wajãpi foi morto de forma violenta na região da sua aldeia Waseity, próxima à aldeia Mariry. A morte não foi testemunhada por nenhum Wajãpi e só foi percebida e divulgada para todas as aldeias na manhã do dia seguinte (3ª feira, dia 23). Nos dias seguintes, parentes examinaram o local e encontraram rastros e outros sinais de que a morte foi causada por pessoas não-indígenas, de fora da Terra Indígena.

6ª feira, dia 26, os Wajãpi da aldeia Yvytotõ, que fica na mesma região, encontraram um grupo de não-índios armados nos arredores da aldeia e avisaram as demais aldeias pelo rádio. À noite, os invasores entraram na aldeia e se instalaram em uma das casas, ameaçando os moradores. No dia seguinte, os moradores do Yvytotõ fugiram com medo para outra aldeia na mesma região (aldeia Mariry). No dia 26 à noite nós informamos a Funai e o MPF sobre a invasão e pedimos para a PF ser acionada. Na madrugada de sexta para sábado, moradores da aldeia Karapijuty avistaram um invasor perto de sua aldeia.

No dia 27, sábado, nós começamos a divulgar a notícia para nossos aliados, na tentativa de apressar a vinda da Polícia Federal. Um grupo de guerreiros wajãpi de outras regiões da Terra Indígena foi até a região do Mariry para dar apoio aos moradores de lá enquanto a Polícia Federal não chegasse. No dia 27 à tarde, representantes da Funai chegaram à TIW e foram até a aldeia Jakare entrevistar parentes do chefe morto, que se deslocaram até lá. Os representantes da Funai voltaram para Macapá para acionar a Polícia Federal. Os guerreiros wajãpi ficaram de guarda próximo ao local onde os invasores se encontram e nas aldeias que ficam na rota de saída da Terra Indígena. Durante a noite, foram ouvidos tiros na região da aldeia Jakare, junto à BR 210, onde não havia nenhum Wajãpi.

No dia 28 pela manhã um grupo de policiais federais e do BOPE chegou à TIW e se dirigiu ao local para prender os invasores.

Isso é o que sabemos até agora. Quando tivermos mais informações faremos outro documento para divulgação.

Posto Aramirã – Terra Indígena Wajãpi, 28 de julho de 2019.

Cimi

O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) também emitiu uma nota lamentando o episódio e solicitando “medidas urgentes, estruturantes e isentas politicamente para identificar e punir, na forma de lei, os responsáveis pelo ataque aos Wajãpi”.

Por Portal RCR

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