Repórter Católico 19/11/25
Atualmente é comum atribuírem o vazio existencial como uma sequela do mundo pós moderno, mas o que mal sabemos é que esse vazio que permeia o ser humano não são celeumas de uma era, de um tempo, estilo, ideologia. A verdade é que o ser humano é um rio que necessita do mar – o rio por ordem natural, ele contorna campos e campinas, serras e montanhas, planícies, lagos, cachoeiras, mananciais, só que por um destino implacável e incontrolável de sua própria existência, seu fim obrigatoriamente é o oceano.
Já o individuo humano é munido de um dom chamado “livre arbítrio”, tão bem defendido por Santo Agostinho – nós humanos somos criaturas que não somos fruto de um acaso ou acidente da natureza, como toda criatura, nós temos um Criador e Deus espera de nós no sadio uso de nossa liberdade, explodamos num perpétuo ato de amor.
Acontece que no decorrer de sua existência o ser humano permite-se não curar-se da mácula, que já obteve em seu nascimento, o pecado original. É lógico que as águas batismais além de fazer o individuo deixar de ser mera criatura e passar a ser perpétuo filho de Deus, também lava, purifica o ser do pecado original – os sete sacramentos estão intimamente interligados, assim, o ser humano que no decorrer de sua vida pode retornar ao pecado, com a graça do arrependimento, da contrição, ele pode experimentar o Sangue do Cordeiro lavando sua alma mediante o Sacramento da Confissão ou Reconciliação, mas a tragédia de nosso tempo é que mais que nunca, o ser humano vem se acomodando com seus pecados – meio que estão se “adaptando” a viver dolorosamente com a chaga terrível que o pecado impregna em nossas almas.
Olhamos as indústrias do consumo cada dia mais lotadas… Shoppings virando um tudo ou nada da liquidação, sites adultos explodindo em visitações, o corpo humano um objeto de satisfação sexual, que depois do uso, é sem crise de consciência alguma descartado como algo material que eu me deleito, me satisfaço e após gozar dos vis prazeres carnais, meramente jogo na lata do lixo – isso sem contarmos os conflitos de ego em prol ao Poder, se perpetuando na Classe Política e em alguns países sucumbindo as nações em terríveis guerras, quando não empresas, mega nacionais e grandes corporações degladiando em nome do controle global.
Lógico que houve um contexto histórico para chegarmos no caos atual: a Reforma Protestante dizendo não à Igreja, consequentemente após as confusões e conflitos, chegarmos na Revolução Francesa que disse não à Cristo, até a bagunça levar a humanidade numa crescente onda ateísta no final do século XIX dizendo um grande não a Deus e como sequela disso, o mundo explodir na ascensão do Comunismo que inseriu a humanidade nas sanguinárias Guerras Mundiais e Guerra Fria dizendo não ao Homem.
Da Renascença com ampla ascendência do Humanismo, que chafurdou o ser humano a criatura limitada a sua própria existência até o que o saudoso Papa Bento XVI denunciou como Ditadura do Relativismo, o ser humano passou a preencher o vazio que há em si com o mundo, Sua Santidade Pio XI já havia alertado pós primeira guerra mundial, que o grande perigo do marxismo começava a ser o socialismo científico, cuja sua pior insídia seria o sub consciente humano, ou seja, mesmo sem conhecer, mesmo sem saber o que é, o marxismo impregnar de tal forma na sociedade, seja mediante a cultura ou a mídia (naquele período em ascendência) e impregnar na mente humana. Assim, tragicamente chegamos…
Foi uma sucessão histórica de procedimentos culturais, intelectuais, sociais e comportamentais para tirar a Igreja da parte formativa, ética e moral do ser humano, até aniquilar de vez a essência do seu próprio individuo.
Hoje, como um macaco que pula de galho em galho, o ser humano busca preencher essa agonia de ter um vazio monumental no seu coração, no seu âmago – quando vão nas Igrejas, não querem mais Homilias que impactam, que provoca uma Metanoia, uma radical mudança de Mentalidade, não querem serem chocados e confrontados com uma Tradição que remonta os Apóstolos e Nosso próprio Senhor Jesus Cristo, que com sua Verdade faz com que a Vida Humana jamais seja a mesma – o que buscam são palavras adocicadas, que afagam o ego e o faz continuar na mesma vida inconversiva! Mal sabem, que sem conversão ficarão cada dia mais doentes, sequelados, feridos e machucados internamente, melhor… Na Alma!
Sabendo que após renunciar a Igreja, Cristo, Deus e o próprio Homem, a onde progressista agora busca intitular a doença humana como uma sequela da “Pós Modernidade”, para que se supere a “Pós Modernidade” vencendo o vazio existencial. Mas o vazio do ser, não é um vazio da sua própria existência, da sua própria natureza, até porque o ser humano não é criatura do nada, do ocaso: ele tem um Criador e esse vazio não será preenchido consigo próprio – é preciso que o Homem se preencha de Deus, mesmo que isso vá contra todas as ideologias que hoje ele tem por sagrada.
Por fim, é preciso que o ser humano cante aquela bela poesia de Santo Agostinho… “Tarde te amei, ó verdade tão antiga e tão nova”! Não são coisas novas ou mundanas que vai satisfazer a existência humana – mas a Renovação constante de Deus que busca que o ser humano o ame na sua plena liberdade.
Por Vanderlan da Silva
