Repórter Católico 26/11/25

Por  Fernando Drummond Fernandes

Pastor Flávio Amaral, do Ministério Libertos Por Deus, chama Nossa Senhora Aparecida de “do Diabo” e “Padroeira do Quinto dos Infernos”

Em diversas transmissões ao vivo nas redes sociais, o Pastor Flávio Amaral, líder do Ministério Libertos Por Deus (LPD), tem feito declarações consideradas como intolerância religiosa e racismo religioso. Entre os alvos, estão a Igreja Católica, religiões de matriz africana e devotos de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

A devoção a Nossa Senhora Aparecida remonta a 1717, quando sua imagem foi encontrada no Rio Paraíba do Sul. Proclamada oficialmente como Rainha e Padroeira do Brasil em 1930, por decreto do Papa Pio XI, a santa passou a ter o dia 12 de outubro como feriado nacional a partir de 1980.

Um dos episódios mais emblemáticos envolve um vídeo em que Amaral, posteriormente apagado pela esposa do ex-travesti — a Missionária Andréia Castro —, afirma: “É por isso que o Brasil vive debaixo de maldição. Por causa de gente tosca (que acredita em Nossa Senhora Aparecida). O Brasil não tem Padroeira. Deus não tem mãe (…) Se você não se converter, você vai torrar no mármore do inferno.”

Em outra gravação, o Pastor ataca católicos e espíritas: “Os espíritas, os católicos também fazem caridade (…) Os espíritas fazem muito mais (caridade) do que os evangélicos (…) São sinagogas do inferno e de Satanás para fingirem que são bonzinhos e lançar sua alma no inferno.”

As declarações contra religiões de matriz africana são ainda mais contundentes. Em uma de suas lives, Amaral afirma: “Enquanto vocês estão adorando Orixás, demônios, ocultismos. Enquanto vocês adoram Zé Pelintra, Zé Pilantra (…) vocês estão sustentando vagabundos, sem-vergonha, maus-caracteres. Eu louvo é a Deus, eu não louvo macumbeiro. (Eles) são velhos e velhas cachaceiras, sem-vergonhas, vagabundas, que entregam sua vida ao Diabo.”

Questionado por um internauta sobre possível intolerância religiosa contra católicos e praticantes do Candomblé, ele responde: “O Candomblé e o Catolicismo são coisas do Inferno.”

As falas, feitas de forma pública e em plataformas de alcance mundial, configuram — segundo especialistas e juristas consultados em casos semelhantes — indícios claros de crimes de intolerância religiosa, racismo religioso e incentivo ao discurso de ódio.

Além das declarações, tanto Flávio Amaral quanto a missionária Andréia Castro enfrentam um amplo conjunto de acusações, que incluem: estelionato da fé, sequestro, tentativa de homicídio, racismo, sonegação de impostos, tráfico de influência, cirurgia ilegal no SUS (com suposta “furada de fila”), associação criminosa, injúria qualificada, calúnia, difamação, violência contra idosos, violência contra animais, violência contra mulheres, racismo religioso, racismo de gênero, misoginia, etarismo e falsidade ideológica.