Participantes no diálogo entre o chavismo e a oposição na Venezuela. | Assessoria de Imprensa da Assembleia Nacional da Venezuela
Repórter Católico 14/08/26
Com mediação da Igreja, chavismo e oposição concordam em reformar sistema judiciário na Venezuela
Na noite da última quarta-feira (12), representantes da Assembleia Nacional de 2015 e do governo interino de Delcy Rodríguez anunciaram os primeiros acordos da mesa de negociações iniciada há alguns dias.
O processo supervisionado pelo governo dos EUA visa alcançar a reinstitucionalização do país, restaurar as liberdades civis e políticas e realizar eleições que permitam uma transição democrática.
À noite, os líderes de ambas as partes — Dinorah Figuera, pela Assembleia de 2015; e Jorge Rodríguez, pelo chavismo — falaram ao país para anunciar os resultados das cinco sessões de trabalho que ocorreram desde 6 de agosto.
Rodríguez disse que ambos os lados se comprometeram a trabalhar para a recuperação do ouro venezuelano depositado no Banco da Inglaterra e retido devido às sanções impostas no regime de Maduro. A mesa de diálogo concordou também em trabalhar para atender às necessidades das pessoas afetadas pelo duplo terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho.
Figuera disse que os acordos iniciais abrangem também uma profunda reforma do sistema judicial venezuelano, com o lançamento de um novo processo de nomeação para renovar o quadro de ministros do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela. A implementação dessas resoluções, segundo as partes, será imediata “sob um mecanismo de trabalho contínuo que assegura o estrito cumprimento de cada compromisso”.
Nos cerca de 20 anos do regime chavista, os poderes do Estado na Venezuela foram completamente controlados pelo partido governante, especialmente os poderes judiciário e eleitoral, dando origem a vários abusos denunciados por ativistas e organizações — nacionais e internacionais — ao longo dos anos.
O início das negociações gerou reações ambivalentes na sociedade venezuelana. María Corina Machado, líder da oposição que atualmente tem apoio popular majoritário, foi excluída de negociações.
As delegações têm previsão de se reunir novamente no mês que vem para avançar com o plano de três fases traçado pelo governo Trump desde janeiro: estabilização, recuperação econômica e transição para a democracia.
No início desta semana, dois cardeais e um bispo-emérito disseram que viam o início das negociações “com satisfação e esperança”.
Numa declaração conjunta, eles se ofereceram como garantidores do processo — a partir de uma “especificidade religiosa e moral” — e expressaram seu compromisso de dar continuidade ao trabalho das comissões que, disseram, devem buscar como objetivo final o benefício de todo o povo venezuelano.
Fonte Andrés Henríquez é, um jornalista venezuelano especializado em religião e política. Mais de 5 anos de experiência em meios bilingues. É membro da Federação Regnum Christi.

